Primeiro estudo sobre doenças do coração foi patrocinado
pela indústria açucareira para culpar a gordura e absolver o açúcar
Qualquer um que já tentou abandonar o estilo de vida
pizza-refri-televisão pela granola conhece o dilema: as notícias sobre o que
vai certamente fazer você viver até os 120 e o que vai entupir suas artérias
simplesmente não fazem sentido. Toda a hora tem algo entrando ou saindo do
sagrado index de alimentos malignos. (Dê uma olhada nos links – em menos de um
ano, duas notícias da SUPER disseram que o ovo é mocinho e vilão)
A bagunça podia ser só consequência de um novo front
científico sendo estudado por vários ângulos. Mas esta é uma história com
vilões. Um artigo do cardiologista Staton Glantz, da Universidade da
Califórnia, São Francisco, revelou o mais influente caso de corrupção na
pesquisa nutricional: o primeiríssimo estudo sobre a relação entre alimentação
e doenças do coração, publicado em 1967, foi secretamente patrocinado pela
Sugar Research Foundation (Fundação para Pesquisa do Açúcar), ou seja, bancado
pela indústria açucareira. Os três cientistas receberam 50 mil dólares para
concluir que a gordura, e não o açúcar, era a culpada pelos problemas
cardíacos. Recomendando uma dieta com menos gorduras e, consequentemente, mais
carboidratos (grupo químico dos açúcares e amido).
“Eles conseguiram descarrilar a discussão sobre o açúcar por
décadas”, afirma Staton, ao The New York Times. “Pode parecer história antiga,
mas os efeitos desse estudo reverberam até hoje.”
O artigo de 1967 foi imensamente influente. Basta olhar na
prateleira de supermercado: iogurte desnatado açucarado é uma coisa
simplesmente (perdão a quem comprou ontem) estúpida. Ainda hoje, autoridades
governamentais receitam uma dieta baseada em pouca gordura e muito carboidrato.
Isso aparece na velha pirâmide alimentar que você aprendeu na escola: a base é
uma cacetada de pão, arroz e macarrão, seguido por frutas (que têm frutose, um
tipo de açúcar), com coisas gordurosas aparecendo numa pontinha lá em cima.
A crise de obesidade atual pode ser uma consequência dessas
recomendações deturpadas. As pessoas ainda acham que estão fazendo um favor a
si mesmas enfiando três colheres de achocolatado em leite desnatado. Ah, e a
granola: cheia de açúcar, ela não é melhor que enfiar na cara um bolão de
chocolate.
O consenso hoje em dia não é que você devia viver como um
esquimó e comer banha de baleia com banha de alce. O açúcar é definitivamente
um vilão, mas a gordura ainda está no banco dos réus. Tem boa e tem ruim, e a
controvérsia continua. Mas já sabe que gordura de menos e açúcar demais fazem
você comer mais. E ser gordo não é uma boa notícia para o coração.
Via | Superinteressante

Comentários
Postar um comentário