Pular para o conteúdo principal

Montadoras bancaram teste do efeito do diesel em homens e macacos

Pesquisa investigou implicações da inalação de óxidos de nitrogênio

Os testes em humanos teriam sido feitos na Universidade de Aachen, na Alemanha, entre 2013 e 2014 

As montadoras Volkswagen, Daimler (dona da Mercedes-Benz) e BMW financiaram testes de laboratório para estudar os efeitos do diesel em humanos e macacos, segundo reportagens dos jornais The New York Times e do alemão Süddeutsche Zeitung divulgadas nos últimos dias.

Nesta segunda-feira, o jornal alemão Süddeutsche Zeitung, afirmou que uma pesquisa sobre os efeitos de inalação de óxidos de nitrogênio (NOx) foi realizado com 25 humanos saudáveis na Alemanha. Esses testes teriam sido feitos na Universidade de Aachen, na Alemanha, entre 2013 e 2014, mas a instituição alegou que o estudo estava relacionado a saúde no ambiente de trabalho, não a poluentes de motores a diesel.

Os testes em macacos foram realizados em 2014 nos Estados Unidos pelo Grupo Europeu de Pesquisa sobre Ambiente e Saúde no Setor dos Transportes (UEGT, sigla em inglês), segundo o NYT.

Segundo o jornal americano, dez primatas foram expostos a fumaça expelida por um Volkswagen Beetle para verificar os efeitos na saúde dos animais – o caso ocorreu dois anos depois que a Organização Mundial da Saúde passou a classificar as emissões do diesel como cancerígenas.

A expectativa das montadoras era comprovar que veículos a diesel com tecnologia avançada tinham menos implicações sobre a saúde de humanos do que os modelos mais antigos.

Ainda segundo o New York Times, os cientistas descobriram que o Beetle fornecido pela Volkswagen havia sido manipulado para produzir níveis de poluição menos prejudiciais do que os modelos colocados à venda.

Um ano após os testes com macacos, em 2015, a Volkswagen envolveu-se em um escândalo conhecido como dieselgate. A montadora alemã admitiu fraudar os testes de emissão de poluentes ao instalar um sofisticado software secreto em seus veículos – 11 milhões de carros foram afetados.

De acordo com o NYT, o escândalo acarretou em multa de 26 bilhões de dólares (cerca de 82 bilhões de reais) para a montadora alemã.

Versão das empresas

Ao NYT, as montadoras informaram que o estudo científico foi legítimo. Daimler e BMW afirmaram que desconhecem o fato de que o veículo utilizado nos testes teria sido configurado para produzir dados falsos.

A Daimler informou que vai abrir investigação sobre a pesquisa. A montadora também disse que a abordagem do UEGT contradiz os valores e princípios éticos da companhia. “Condenamos fortemente os experimentos”.

O BMW Group afirmou que não participou dos estudos mencionados e “distanciou-se de qualquer envolvimento nos experimentos realizados pelo UEGT na semana passada”.

A montadora também disse que fará uma investigação interna para esclarecer o trabalho e antecedentes do UEGT. “Isso inclui uma comparação ampla e baseada em fatos da metodologia de estudo e alinhado com uma pesquisa científica comparada. Ao fazê-lo, a avaliação de órgãos independentes com conhecimentos adequados – como uma comissão de ética médica independente – deve ser considerada. De acordo com informações levantadas por nós, a comissão de ética responsável da Universidade Técnica RWTH Aachen esteve envolvida no estudo em questão “.

Via | Veja

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

JAMES WEBB REVOLUCIONA O ENTENDIMENTO SOBRE A EVOLUÇÃO DO UNIVERSO

Medicamento antiviral melhora tempo de recuperação de pacientes com Covid-19, diz estudo

Trabalho publicado nesta sexta-feira pelo 'The New England Journal of Medicine' mostra resultado de testes com Remdesivir em pacientes internados e com infecção do trato respiratório inferior. Um estudo publicado nesta sexta-feira (22) pelo ' The New England Journal of Medicine ' afirma que o medicamento antiviral experimental Remdesivir melhora o tempo de recuperação de pacientes de Covid-19 hospitalizados e com infecção do trato respiratório inferior. O estudo, patrocinado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) dos EUA, envolveu 1.063 pacientes em 10 países, durante um período de 58 países, que consentiram em participar dos testes recebendo o medicamento ou um placebo. Os resultados apontam que, entre os que se recuperaram, aqueles que tomaram Remdesivir o fizeram em um prazo médio de 11 dias, comparados com os 15 dias necessários para os que receberam placebo. Os pacientes foram acompanhados diariamente durante o tratamento, usand...

Novo teste de coronavírus pode detectar a doença em cinco minutos

A fabricante de dispositivos médicos Abbott recebeu autorização de emergência da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para seu novo teste molecular de ponto de atendimento para COVID-19, que permitirá que profissionais de saúde em uma variedade de cenários obtenham resultados quase imediatamente. Ele pode fornecer resultados positivos em menos de cinco minutos e resultados negativos em 13 minutos. Em um anúncio publicado na sexta-feira (27), a Abbott disse que o teste poderia ser usado em consultórios médicos, clínicas de atendimento de urgência e departamentos de emergência hospitalar. Ele funcionará na plataforma ID NOW da empresa, um dispositivo portátil do tamanho de uma pequena torradeira que já é usado para detectar influenza A e B, Estreptococo do grupo A e vírus sincicial respiratório. A Abbott disse que estava aumentando a produção e que espera entregar 50.000 testes por dia ao sistema de saúde dos EUA a partir da próxima semana. De acordo com a Bloomberg...