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Existe mais um continente na Terra!


Conforme a maioria de nós aprendeu no colégio, existem seis continentes no nosso planeta: o africano, o asiático, o europeu, o americano, a Oceania e o antártico. Também existem aqueles que consideram que o nosso mundo se divide em Ásia, África, Europa, Austrália (em vez de Oceania), América do Norte e América do Sul — divisão essa que nasceu depois da construção do Canal do Panamá.

Tem ainda a divisão adotada pelos geólogos, que agrupam a Europa e a Ásia em um único supercontinente, a Eurásia, e contam seis continentes geológicos no total. Mas, independentemente de qual seja a sua divisão favorita — a verdade é que existem outras além dessas três que mencionamos! —, saiba que um grupo de pesquisadores disse ter descoberto mais um continente, então, pode ser que você tenha que contabilizar mais um aí na sua lista.

Mais um!

De acordo com Dave Mosher, do portal Business Insider, um grupo formado por 11 pesquisadores recentemente apresentou um estudo onde afirmam que existe mais um continente além desses todos que nós já conhecemos, um que eles batizaram de Zelândia — sem o “Nova” na frente.


Segundo Dave, os geólogos realizaram uma exaustiva análise de dados obtidos por satélite e conduziram testes em amostras de rochas coletadas pelo “continente” e concluíram que a Nova Zelândia e a Nova Caledônia — um arquipélago que faz parte da França e se encontra situado na Oceania, a 1,5 mil quilômetros leste da Austrália e a 2 mil quilômetros norte da Nova Zelândia — formam um único continente.

Os cientistas argumentam que tanto a Nova Zelândia como a Nova Caledônia formam uma única massa com 4,9 milhões de quilômetros quadrados, e que essa enorme crosta continental teria composição diferente da Austrália. Eles ainda explicaram que essa não foi uma conclusão à qual eles chegaram agora, de uma hora para outra. Já faz algum tempo que essa proposta existe, mas os cientistas não tinham os dados necessários em mãos para provar sua hipótese.

Proposta antiga

O termo “Zelândia” surgiu em 1995 e foi criado por um geofísico da Universidade da Califórnia chamado Bruce Luyendyk — que não participou do estudo sobre o novo continente. Ele usava esse nome para se referir à área que abrange Nova Zelândia, Nova Caledônia e uma porção de fragmentos de crosta terrestre que hoje se encontram submersos, mas que um dia fizeram parte do supercontinente Gondwana, que se rompeu há milhões de anos.


Os geólogos do estudo atual se basearam na ideia de Luyendyk e reavaliaram os dados coletados da região considerando quatro critérios para classificar um “pedaço de rocha” como continente. O primeiro seria se ele tem altitude elevada com relação à crosta oceânica, e o segundo se sua crosta é mais espessa e menos densa que o fundo do oceano circundante.

O terceiro critério seria se sua área é grande o suficiente para diferenciá-lo de um microcontinente ou fragmento continental, e o quarto, se existe a presença de três tipos de rochas — as ígneas (ou vulcânicas), as metamórficas (aquelas criadas por calor e pressão) e as sedimentares (as que são produto da erosão). Pois resulta que o novo continente cumpre com todos os atributos.

Zelândia, sem o “Nova”

Na realidade, estudos anteriores já haviam concluído que a Nova Zelândia e a Nova Caledônia cumpriam com os três primeiros critérios acima, já que ambas consistem em grandes ilhas, são geologicamente diversas e compostas por uma crosta mais espessa e menos densa do que a do fundo oceânico que se encontra ao seu redor. No entanto, os cientistas acreditavam que a região era toda fragmentada.


O estudo atual se baseou em novos mapas de elevação e gravidade que revelaram que, na verdade, a região toda forma uma massa continental só. Com esse material em mãos, os geólogos concluíram que, ao longo de milhões de anos, as placas tectônicas da região têm feito a Zelândia (continente) afinar, esticar e submergir de forma que apenas 5% ficam visíveis.

Os geólogos também determinaram que o continente se encontra separado da Austrália por um mero pedacinho de terra de 25 quilômetros chamado “Cato Trough” e que está dividido em dois segmentos, o norte e o sul, pela Placa Australiana e pela Placa do Pacífico.

Por conta disso tudo, a região parece estar toda fragmentada, mas os geólogos apontaram que existem partes da Índia, da América Central e da Arábia que também apresentam divisões parecidas — e nem por isso elas deixaram de ser consideradas como parte de continentes maiores.

Ademais, as análises das amostras de rochas revelaram que o novo continente parece ter a mesma composição que a crosta continental que fazia parte de Gondwana, e que ele migrou de maneira semelhante à Oceania e à Antártida. E, com dimensões parecidas com o que os geólogos chamaram de “Índia Maior” — que engloba o sudeste asiático e a Ásia meridional —, a oficialização do novo continente teria implicações econômicas e geopolíticas enormes.

Implicações


Segundo disse Luyendyk, o geofísico que propôs chamar a região que engloba Nova Zelândia, Nova Caledônia e demais ilhas de Zelândia, os pesquisadores que propõem a nova divisão de continentes são cientistas brilhantes que reuniram uma sólida coleção de evidências. Assim, na opinião de Luyendyk, é bastante provável que outros geólogos aceitem suas conclusões. E que consequências isso traria para as nossas vidas?

Para as dos brasileiros, não muitas, além de termos que memorizar mais um continente. Mas, para os neozelandeses e neocaledônios, pode fazer bastante! Existem tratados firmados pelas Nações Unidas que falam especificamente das plataformas continentais como limites e determinam os locais a partir dos quais recursos naturais podem ser explorados. E pode haver bilhões e bilhões de dólares em combustíveis fósseis e minerais à espreita na região, $abe?


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