Foi de um animal do tamanho de um ratinho, que morava
escondido em buracos de árvores, comendo insetos, e que viveu há 100 milhões de
anos. Fora isso, sabemos apenas que ele era parecido com pequenos mamíferos que
existem hoje em dia, como o musaranho. Esse antepassado distante ainda não era
um primata – ordem à qual os macacos e o homem pertencem e cujo primeiro
representante só apareceria 40 milhões de anos depois. Esse lapso de tempo é enorme
e até hoje ainda não são conhecidas as espécies que completariam esse período
da árvore genealógica dos macacos. “Existe um buraco na evolução. Todos os
fósseis encontrados, que fariam a ponte entre os insetívoros e os primatas,
foram desconsiderados”, afirma o biólogo Walter Alves Neves, da Universidade de
São Paulo (USP). O termo “desconsiderado” soa esquisito, mas significa que
pesquisas posteriores mostraram que esses fósseis realmente não compunham os
elos perdidos tão procurados pelos especialistas.
Se essa parte da história evolutiva dos macacos é nebulosa,
pelo menos os capítulos mais adiante são bem conhecidos. Ao longo de milhões de
anos, os primatas foram crescendo de tamanho e ganharam um cérebro maior. O
hábito de viver de galho em galho ajudou nessa última transformação, pois nas
árvores os primatas aprimoraram o tato e a visão para fugir de predadores e
encontrar comida. A evolução dos sentidos levou esses animais a expandirem uma
área do cérebro fundamental para o desenvolvimento de capacidades, como a
associação de idéias e o aprendizado. Sem esse avanço, os primatas poderiam não
ter sobrevivido e o homem nem sequer pisado na Terra.
A grande família Árvore genealógica dos primatas nasceu há
100 milhões de anos
Primos próximos
Os macacos simiiformes evoluíram a partir de antigos
prossímios, ganhando mais agilidade e inteligência. Eles surgiram cerca de 45
milhões de anos atrás. Hoje há perto de 200 espécies desses animais, que se
dividem entre os chamados macacos do novo mundo (que habitam as Américas), como
o mico-leão, e os do velho mundo (África), como o mandril
Quase humano
O ancestral comum entre humanos e grandes primatas viveu há
cerca de 6 milhões de anos e ainda é desconhecido. Há 5 milhões de anos
surgiram os primeiros hominídeos: os australopitecos, parecidos com os macacos,
mas bípedes. O primeiro ancestral do gênero Homo, o Homo habilis, surgiu 2
milhões de anos atrás e já manipulava bem objetos
Irmão cabeça
Os grandes primatas vieram dos mesmos animais que deram
origem aos macacos do velho mundo. A separação entre os ancestrais de um grupo
e de outro foi há 25 milhões de anos. Os grandes primatas têm o cérebro maior e
mais complexo. Hoje, são os gibões, gorilas, orangotangos, chimpanzés e bonobos
– dos quais os dois últimos são nossos parentes mais próximos
Arauto da macacada
Os primeiros primatas, chamados prossímios, surgiram há 60
milhões de anos. Alguns de seus representantes ainda estão por aí, como o
moderno társio. Esses animais se diferenciaram de seus ancestrais insetívoros
por terem uma dieta mais variada, corpos mais bem adaptados à vida nas árvores
e um cérebro bem maior
Pai de todos
Os mais distantes ancestrais dos macacos eram de uma extinta
família de insetívoros (animais comedores de insetos) chamada Leptictidae, que
viveu entre 100 milhões e 38 milhões de anos atrás. Seus membros se pareciam
com o musaranho, um pequeno mamífero moderno. Além dos primatas, eles deram
origem a outros animais, como cavalos e bois
Ovelha negra
Os lemurídeos se separaram do tronco evolutivo que deu
origem ao társio e aos macacos modernos há mais de 50 milhões de anos, formando
uma linhagem própria, que originou os atuais lêmures. Esses animais conservam
uma aparência primitiva, com rosto de raposa e corpo de macaco
Via mundoestranho

Comentários
Postar um comentário